Wednesday, 17 January 2007

Ocaso...

O Risco
Os filhos da geração que está agora na casa dos 30 já verão o ocaso da Humanidade.
Não acredito que os netos lhes sobrevivam.Irá a Humanidade sobreviver a si própria?Globalização competitiva, fundamentalismo islâmico e desenvolvimento sustentável prosseguem objectivos fortemente conflituantes em que o desenvolvimento sustentável é, por enquanto, o elo mais fraco e, portanto, aquele que é mais susceptível de ser deixado para trás. E, se o for, creio que os filhos da geração que está agora na casa dos 30 já verão o ocaso da Humanidade. Sim, escrevi os filhos, porque não acredito que os netos lhes sobrevivam. Se a globalização competitiva prosseguir tendo, como tem hoje, como valores ideológicos “indiscutíveis” o crescimento contínuo, onde o sucesso só é obtido em função da prossecução da máxima eficiência e da máxima competitividade económica, levará ao esgotamento do Planeta, não apenas dos recursos minerais mas também dos elementos fundamentais que permitem a existência da nossa vida. Uma observação elementar é esta: o Planeta Terra é um planeta finito. Por definição, o que é finito não pode crescer sempre, a ritmos cada vez mais rápidos e com uma demografia em crescimento exponencial. Mas por que razão não vemos isso e não agimos em conformidade com outro modelo de desenvolvimento? Porque a Humanidade, o somatório de cada um de nós, foi educada num quadro completamente diferente de valores e de vias para a obtenção de sucesso e da consideração dos seus semelhantes. Isso é notório até nas coisas mais comezinhas do nosso dia a dia, como fecharmos o chuveiro para nos ensaboarmos ou lavarmos os dentes usando o copo de água em vez de deixarmos a água da torneira a correr, ou não fazermos a barba debaixo do chuveiro, ou fecharmos as luzes de que não precisamos acesas. Pensa o leitor(a) que é fácil mudar? Desafio-o(a) a tentar pôr em pratica estes actos corriqueiros durante uma semana. Vai sentir-se relativamente infeliz por “ter perdido graus de liberdade e conforto”. Imagine, agora, o esforço que vai ser necessário para educar a nossa geração e, se tivermos juízo, as vindouras, para o desenvolvimento sustentável e, portanto, para a preservação do planeta.Acredito que a ideologia hoje dominante, de que a globalização se baseie apenas na eficiência económica e na competitividade económica como factores de sucesso, terá que ser substituída por uma ideologia do crescimento possível, assente na maior eficiência ambiental, social e económica, por esta ordem de prioridade. Vejo, nesta mudança de ideologia, uma enorme oportunidade para a economia de mercado baseada no conhecimento. É que, com base nas necessidades que resultariam de uma ideologia do crescimento possível no respeito absoluto pela vida no Planeta, existe uma imensa oportunidade para um desenvolvimento rápido de novas tecnologias que garantam a qualidade do ambiente e que viabilizem a globalização como um factor de melhoria das condições de vida de todos os povos do mundo. Uma globalização que premeie os mais competitivos na defesa do Planeta e que, simultaneamente, erradique a fome e a pobreza extrema em qualquer parte do mundo. Sou frontalmente contra os princípios igualitários mas quero que todos os meus semelhantes, presentes e futuros, trabalhem prosseguindo o objectivo de viverem com o melhor nível de vida que lhes seja possível e que atingir um tal nível de vida constitua o premio dos que forem capazes de ser mais competitivos na introdução e no uso de tecnologias avançadas, que permitam a evolução das funções económicas e sociais sem perturbação dos equilíbrios ecológicos. Baseado apenas no pressuposto do bom senso da Humanidade, tenho que o reconhecer, acredito que o futuro será de uma economia de mercado onde o sucesso seja medido e remunerado em função da capacidade de cada um exercer a sua actividade com a maior eficiência e competitividade ambiental. A geração dos que hoje estão vivos e a próxima geração, dos que ainda vão nascer, assistirão, necessariamente, a uma modificação radical da estrutura dos valores e do poder no mundo. E, das duas, uma. Ou essa modificação coloca no poder responsáveis mais interessados na manutenção da vida na Terra do que no lucro imediato a qualquer custo ou a vida humana no Planeta dificilmente sobreviverá ao séc. XXI.

António Neto da Silva – Economista
Edição on-line Diário Económico
12/01/2007

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