Wednesday, 28 March 2012

Cotonete


Quando vamos para a praia em qualquer altura do ano deparamo-nos sistematicamente com pequenos paus de plástico que muitos consideram ser de chupa-chupas. Na realidade são paus de cotonete. Que as pessoas deitam nas sanitas e que passam pelas ETAR até chegarem ao mar. Que os devolve para terra. Este fim-de-semana apanhamos muitos. Mas podíamos ter apanhado muitos mais.

Os dias 23 a 25 de Março marcaram este ano uma vez mais as Iniciativas Oceânicas. Esta iniciativa decorre em simultâneo no mundo inteiro, e tem como principal objectivo alertar as pessoas para a poluição nas praias e através da ajuda de todos remover uma parte deste lixo.

Como voluntário da Surfrider Foundation em Lisboa, organizei três limpezas de praia durante o fim-de-semana. No sábado de manhã tivemos no Guincho, no sábado à tarde em Carcavelos e no domingo a seguir ao almoço na Costa da Caparica.
Surpreendente foi o facto de no Guincho com chuva e com vento terei aparecido mais pessoas. À semelhança da última limpeza de praia que tínhamos levado a cabo tivemos mais estrangeiros do que portugueses.

Quando chegamos a Carcavelos no sábado a praia estava cheia de surfistas, boas ondas e muitas pessoas no areal. Ninguém se aproximou de nós para ajudar. Excepto duas pessoas, uma rapariga que se aproximou pegou num saco e foi apanhar lixo e um jovem surfista, não devia ter mais de 12 anos e estava numa festa de anos de um amigo. Veio a correr ainda de fato vestido, foi ajudar, devolveu o saco cheio e seguiu para a sua festa de anos. Tirando estas duas excepções e nada mais. Os surfistas decidiram ignorar a acção de limpeza da sua praia.

No domingo a situação foi semelhante. Apesar das praias da costa da Caparica serem durante o Inverno uma espécie de lixeira a céu aberto, e de as pessoas apesar de isso irem para a praia brincar com as crianças e as escolas de surf utilizarem as praias numa base diária, tal como os surfistas, ninguém se mexeu para ajudar. Mesmo ninguém!

Fiquei a reflectir sobre a razão disto acontecer. Coloquei-me na posição de estar numa esplanada com os meus filhos na praia onde habitualmente vou e assistir a uma acção de limpeza de praia. Será que me juntaria? O que me levaria a não me juntar? A conclusão que cheguei é que provavelmente as pessoas consideravam que já pagavam impostos, e que não tinham sido elas a deixar o lixo na praia e por isso não tinham nenhuma obrigação de ajudar. É verdade. Ou talvez não se consideramos que o bem-estar de todos não pode só depender de uns mas deve obrigatoriamente depender de todos. 

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