Nos últimos anos assisti de uma forma simples e eficaz à
tomada de controlo da vida económica do meu país e de outros, levada a cabo por
empresas que “prevêem” o grau de cumprimento de cada pais, conjunto de países,
empresas ou mesmo pessoas. Neste mundo de “previsões” acontece a mais incrível
manipulação das economias que faz lembrar a organização criminosa SPECTRE dos
primeiros tempos do 007.
Os políticos perderam definitivamente o controlo da situação
quando começaram a aceitar que aos seus países sejam atribuídas qualificações
com base em previsões teóricas a que chamaram de ratings e que esses ratings
sejam condicionadores do próprio país.
Hoje a realidade não corresponde à
realidade. Quando uma agência de rating
baixa a classificação de determinado país, isso não significa que ele ficou
mais pobre, perdeu território, as suas empresas deixaram de existir ou as
populações iniciaram um êxodo massivo. Nem sequer significa que os seus índices
de produtividade diminuíram. Então o que significa isto? Significa que em
teoria, porque é disso que estamos a falar, o país poderá não conseguir cumprir
os seus compromissos. Claro que o resultado imediato é que os países são
penalizados junto dos seus credores e futuros credores, no que às taxas de juro
dos empréstimos e não só, diz respeito.
Ora isto aumenta imediatamente a probabilidade de não conseguir cumprir os seus
compromissos na medida em que são impostas taxas de juro mais elevadas. Quem
ganha com este jogo? Em primeiro lugar, parece-me que sem dúvida nenhuma as
agências de rating que conseguem dominar o mundo a seu bel-prazer. Em segundo
os investidores que conseguem com base num sistema de “previsões” enriquecer sem
produzirem absolutamente nada.
Consigo perceber a lógica dos investidores e mesmo das
agências de rating que trabalham em proveito próprio e conseguiram levar o jogo
do: “agora ganhas tu agora ganho eu” até uma esfera global. Já não consigo
perceber os políticos que para garantirem o seu estilo de vida, agarrados a um
poder que já não lhes pertence e que nunca lhe pertenceu aceitam e colaboram
com este sistema, levando à falência o seu país e mais importante os seus
cidadãos. Não consigo perceber que num mundo de facilidade de informação os
cidadão não se juntem para procurar novos políticos ou pelo menos novos
caminhos.
Começa a ser altura de acabar com esta lógica mercantilista
e vigarista que assola o mundo moderno. Pode ser uma ruptura completa, mas
seria bem melhor se fosse um encontrar de um novo caminho para o futuro que não
fosse totalmente disruptivo.

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