Sunday, 11 December 2011

SPECTRE


Nos últimos anos assisti de uma forma simples e eficaz à tomada de controlo da vida económica do meu país e de outros, levada a cabo por empresas que “prevêem” o grau de cumprimento de cada pais, conjunto de países, empresas ou mesmo pessoas. Neste mundo de “previsões” acontece a mais incrível manipulação das economias que faz lembrar a organização criminosa SPECTRE dos primeiros tempos do 007.
Os políticos perderam definitivamente o controlo da situação quando começaram a aceitar que aos seus países sejam atribuídas qualificações com base em previsões teóricas a que chamaram de ratings e que esses ratings sejam condicionadores do próprio país. 
Hoje a realidade não corresponde à realidade. Quando uma agência de rating baixa a classificação de determinado país, isso não significa que ele ficou mais pobre, perdeu território, as suas empresas deixaram de existir ou as populações iniciaram um êxodo massivo. Nem sequer significa que os seus índices de produtividade diminuíram. Então o que significa isto? Significa que em teoria, porque é disso que estamos a falar, o país poderá não conseguir cumprir os seus compromissos. Claro que o resultado imediato é que os países são penalizados junto dos seus credores e futuros credores, no que às taxas de juro dos empréstimos e não só,  diz respeito. Ora isto aumenta imediatamente a probabilidade de não conseguir cumprir os seus compromissos na medida em que são impostas taxas de juro mais elevadas. Quem ganha com este jogo? Em primeiro lugar, parece-me que sem dúvida nenhuma as agências de rating que conseguem dominar o mundo a seu bel-prazer. Em segundo os investidores que conseguem com base num sistema de “previsões” enriquecer sem produzirem absolutamente nada.
Consigo perceber a lógica dos investidores e mesmo das agências de rating que trabalham em proveito próprio e conseguiram levar o jogo do: “agora ganhas tu agora ganho eu” até uma esfera global. Já não consigo perceber os políticos que para garantirem o seu estilo de vida, agarrados a um poder que já não lhes pertence e que nunca lhe pertenceu aceitam e colaboram com este sistema, levando à falência o seu país e mais importante os seus cidadãos. Não consigo perceber que num mundo de facilidade de informação os cidadão não se juntem para procurar novos políticos ou pelo menos novos caminhos.
Começa a ser altura de acabar com esta lógica mercantilista e vigarista que assola o mundo moderno. Pode ser uma ruptura completa, mas seria bem melhor se fosse um encontrar de um novo caminho para o futuro que não fosse totalmente disruptivo.

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